“Queimar” a nossa gordura como combustível?! E isso não dói?

gordura como combustívelUma manhã, uma “inocente” pergunta de um membro do Grupo Facebook onde sou moderador,  sobre utilização da gordura corporal, lançou-me numa verdadeira “verborreia” que pela sua extensão e conteúdo entendi que poderia “virar um post”… (eu fui “provocado”, tenho desconto… )

Por esta altura a senhora a quem respondi e que se sentiu obrigada a ler, por uma questão de educação, já abandonou o grupo, pôs a casa à venda e vai passar o resto dos seus dias como promotora Herbalife junto dos aborígenes australianos (consta que serão um bom público)…

Assim, a utilização da nossa gordura corporal como combustível é o processo evolutivamente natural e aquilo para que fomos “concebidos”. Durante mais de 2 milhões de anos os hidratos eram escassos, ocorriam naturalmente com a fruta da época (época curta) e o fenómeno que agora nos “incomoda” de armazenar os açúcares como gordura, era a “solução” para o longo inverno e para a escassez de alimento (longos jejuns e alimentar da gordura corporal). Sem esse recurso, essa função fisiológica, a espécie humana tinha sido extinta no primeiro Inverno. Os Ariston e Balay da época eram os estômago, uma vez que mesmo o armazenamento de comida era ineficiente e perigoso, pois tentar armazenar carcassas de animais (não as da padaria) era atrair animais selvagens (não, não estou a falar das sogras, até porque a minha é uma querida…) 😉
Sobre a fisiologia desse “fenômeno” sugiro a pesquisa de um caso dos tempos modernos, de 382 dias em jejum clinicamente acompanhado, para perceberem como funciona(va):

Esse caso é o de Angus Barbieri, um escocês de 27 anos e 207Kg de peso que em 01/06/1965 procurou a ajuda do Departamento de Medicina da Universidade da Royal Infirmary de Dundee. Os médicos sugeriram-lhe uma experiência de jejum, pensando que alguns dias sem comer iriam ajudá-lo a perder algum peso, embora não esperassem que ele conseguisse manter um jejum prolongado. Os dias tornaram-se semanas e Barbieri sentia-se bem e estava a perder peso, pelo que decidiu continuar. Era acompanhado e fazia testes regulares, incluindo pernoitas no hospital. Testes regulares de açúcar no sangue – destinados a demonstrar que ele de alguma forma era capaz de sobreviver apesar de estar extremamente hipoglicêmico – asseguravam aos médicos que ele realmente não comia, não mentia sobre o jejum. Barbieri tomou vitaminas em várias ocasiões ao longo do jejum, incluindo suplementos de potássio e sódio. Ele foi autorizado a beber café, chá e água com gás, todos naturalmente livres de calorias. Em 11/06/1966, Barbieri encerrou a sua experiência. Após 382 dias de jejum calórico absoluto, ele perdeu 124,2 kg (ou seja, 60% do seu peso), terminando próximo dos 83kg.

Vídeo documentando “Relatório Médico” https://youtu.be/pR64wOmDlxI

Angus Barbieri antes e depoisDesenvolvimento do   processo (para Geeks como eu ) http://cristivlad.com/total-starvation-382-days-without-food-study/

A agricultura e a industrialização alimentar, em termos evolutivos, aconteceu há duas horas, se tanto… Mas a excessiva disponibilidade de hidratos, primeiro com cereais e depois adicionando a vulgarização dos açúcares, veio alterar muito negativamente a nossa dieta e consecutivamente a nossa saúde.
Para além de cereais e açúcares serem só por si inflamatórios e potenciarem estados inflamatórios no nosso corpo, a sobre estimulação da insulina (concentração de glicose no sangue é potencialmente tóxica e é prioridade a sua metabolização e armazenamento nas reservas de glicogênio e após esgotar essa reduzida capacidade de armazenamento, sob outra forma – triglicerídeos)…

Angus Barbieri

ZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZ ZZZZZZZZZZZZ… (acredito que esteja tudo a dormir nesta altura…)

…a insulina “informa” o nosso metabolismo que tem combustível prioritário para processar e portanto não precisa de recorrer “às reservas” (o donut que comi em 2006 e que armazenei como massa gorda 😉). O nosso corpo é, por definição e se “não dermos cabo dele”, uma máquina muito eficiente. Não faz sentido utilizar simultaneamente dois combustíveis, com processos metabólicos e tempos de metabolização diferentes.


A adaptação / o desbloquear da eficiência natural na utilização da gordura como combustível é conseguida através da redução substancial de hidratos na alimentação e pode demorar três a 4 semanas (imaginem 4 semanas de “desafiosaoso5dias“, para optimização. Não quer dizer que depois não possa “abusar” pontualmente de hidratos, pois já fizemos um reset à “máquina”…mas atenção, sublinho o pontualmente, não digo “permissão para alambazar”! 😉

Nesse período conseguir implementar jejum intermitente e um ou dois jejuns mais prolongados 36h a 48h) podem fazer muita diferença e ajudar a ultrapassar plateau’s de perda de peso (foi o que resultou comigo, após um mês sem grandes diferenças).


Claro que o sucesso desta ou de outras estratégias depende da realidade de cada um, do ritmo dos nossos dias, dos nossos objectivos e empenho, tantos factores subjectivos…
Também não digo que isto seja a situação ideal para todos, nos dias que correm, nas nossas realidades ainda que fisiologicamente e evolutivamente correcta e cada pessoa é um universo em si mesmo, especial e diferente de todos… 😉 experimente, teste-se…adapte estratégias…

Acima de tudo coma bem, “alimentos verdadeiros” até à saciedade e com prazer…não queremos cá sacrifícios… 😉

 

 

Print Friendly, PDF & Email

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.