ou alimentos Inflamatórios vs Dieta Anti Inflamatória…

Hipócrates | Alimentos Inflamatórios

Esta famosa frase de Hipócrates cada vez me faz mais sentido. A influência dos alimentos que escolhemos e diariamente ingerimos, no nosso estado de saúde, é inegável e determinante para uma vida verdadeiramente saudável.

Naturalmente a nossa escolha de alimentos terá uma influência positiva ou negativa e podemos até, com as escolhas acertadas minorar ou reverter estados de saúde que nunca associaram a opções alimentares.

Muitos estados de doença estão de alguma forma ligados à inflamação, a estados inflamatórios. Estes são reações naturais do corpo a uma “agressão”, a uma influência externa e constituem uma resposta e simultaneamente um alerta ao nosso sistema imunitário. O processo inflamatório manifesta-se através de alguns sintomas, nem sempre cumulativos:

Vermelhidão / Calor / Inchaço / Dor.

Podemos no entanto ter um processo inflamatório que não se exprime por dor, vermelhidão ou calor. Temos órgãos no corpo onde não existem terminais nervosos associados à dor. Exemplo curioso é o cérebro, origem e controle de todo o sistema nervoso e que pode chegar a um profundo estado inflamatório sem que se manifeste através de dor (atenção à perda de funções, como memória, coordenação motora, etc…).

A inflamação inicial, aguda, é desejável, trata-se do corpo a combater a “agressão externa” e a “activar” o sistema imunitário. Actualmente muitos médicos são contra o combater precocemente esses sintomas, porque máscara e atrasa recuperação. Até o uso excessivo de gelo em lesões com inchaço não é recomendado.

Inflamação aguda deve durar entre 72h a um máximo de 5 dias. Mais do que isso e estamos perante uma inflamação crónica, tendo de identificar que elementos agressores se mantêm presentes (como alergias ou intolerâncias alimentares) ou o que pode estar a contribuir para atrasar o processo de recuperação.

A dieta convencional com influência na SAD (Standard American Diet) está “carregada” de alimentos potencialmente inflamatórios, dos quais podemos destacar:

AÇÚCARES
MARGARINAS E ÓLEOS VEGETAIS ultra-refinados e hidrogenados
CEREAIS (Glúten e outros anti-nutrientes)
LACTOSE e CASEÍNA (sobretudo em produtos lácteos não fermentados)
GORDURAS TRANS

A título de curiosidade e exemplo, podemos identificar um “alimento” (ou algo comestível), que consegue reunir em si o pior desses “alimentos”… o famigerado DONUT!

A frequente ingestão desses “alimentos” potencia estados de doença como as várias auto-imunes e o retirar desses alimentos está associado a importantes melhorias ou reversão da doença. Evitar esses alimentos traduz se normalmente em imensos benefícios no controle de Síndrome do Intestino Irritado, Chron,  Hashimoto, fibromialgia, diversas doenças de pele, etc…

Para além de evitar conhecidas fontes de alimentos inflamatórios, a que basicamente todos temos vários graus de intolerância e/ou sensibilidades (mesmo que durante a maior parte da nossa vida não lhes atribuíssem responsabilidade por mal estares e reacções adversas), é importante conhecer e descobrir potenciais sensibilidades a outros alimentos. Muitas pessoas têm sensibilidade (alergia) a vegetais da família das solanáceas, devido a alcalóides e lectinas mais activas que contêm. É o caso das beringelas, pimentos, batata inglesa (não a doce e quantos mais “verdes” pior) pimentas (não a do reino) e em menor grau, o tomate. Estas sensibilidades, problemas digestivos e potencial inflamatório destaca-se sobretudo em pessoas com doença auto-imunes e/ou problemas intestinais.

Pessoas com artrite reumatóide, por exemplo ou outras doenças caracterizadas por dores articulares, têm frequentemente extraordinárias melhorias com a retirada desses “alimentos”.

Os alcalóides incluem a solanina (das batatas, especialmente se estiverem verdes), nicotina (em quantidades muito pequenas) e capsaicina (o composto activo da pimenta).
A substância capsaicina, por exemplo, tem em pessoas com um sistema imunitário saudável, um poderoso efeito anti-inflamatório, mas em pessoas com o mesmo comprometido, pode ter efeitos contrários, uma vez que o seu processo funciona como uma reação do corpo a um composto extremamente irritante para o nosso corpo, agressivo até.

O alcalóide presente no tomate, a turmalina, é o menos nocivo, sendo no entanto que se notarem sensibilidades, recomenda se que devam evitar tomate cru.
A presença desses alcaloides é naturalmente maior na casca e folhas verdes, devendo se possível evitar comê-las (batatas, beringela e tomate descascado). Também ouvimos falar muito de uma crescente deficiência em Vitamina D. As solanáceas contêm uma forma extremamente potente de vitamina D3 que alguns estudos indicam que ao contrário da potenciada pela exposição solar, têm consequências negativas no metabolismo e absorção de cálcio, potenciando o seu depósito em tecidos moles ao invés dos ossos (inconclusivo ainda).

Em oposição aos alimentos com grande potencial inflamatório, temos alimentos com substâncias capazes de reduzir eficazmente estados inflamatórios. Recentemente temos ouvido falar muito da curcuma, que tem sem dúvida merecida fama como um super alimento anti-inflamatório.

Também a família das crucíferas (todas as couves, brócolos, couve flor, etc) tem fito nutrientes fantásticos no combate à inflamação, regulação hormonal e até na redução da dor e devem ser generosamente consumidos na nossa alimentação.

A dieta convencional tem uma rácio de Ômega 3, Ômega 6 e Ômega 9 (ácidos gordos) completamente distorcido do que foi o da nossa alimentação ancestral, aquela para o qual evoluímos. Antigamente quase todos os alimentos que consumiamos regularmente (bagas, sementes, fruta da época não geneticamente ou por selecção modificada) era riquíssima em Ômega 3. O rácio ideal de Omega 6 para Omega 3 deveria ser idealmente 1:1 ou pelo menos 4:1. Com a prevalência da SAD (Standard American Diet), chega a ser de 20:1!!

Numa dieta Paleo naturalmente já reduzimos bastante a ingestão de Omega 6, por exemplo ao pôr de parte as margarinas e óleos vegetais refinados…mas os mesmos encomtram-se em quantidade nos produtos industrializados.

O Omega 3 em directa oposição do Omega 6, tem uma fortissima acção anti-inflamatória.
Existem várias fontes vegetais, mas sem dúvida uma das melhores fontes de Omega 3 será óleo de peixe. Privilegiar sardinhas pequenas e anchovas (mais pequenas, menos toxicidade), salmão selvagem… De origem vegetal destacar a chia e sementes de cânhamo (estas têm um excelente equilíbrio entre Omega 3, Omega 9 e algum Omega 6, para além de ser excelente fonte de magnésio, zinco e outros minerais. Óleo de fígado de bacalhau não é tão boa fonte de Omega 3, mas é também um bom suplemento vitamínico e mineral…

Referir que consumir carne alimentada a rações, sobretudo rações com base em sub produtos de soja ou milho, também tem muito maior conteúdo de O6 do que carne de gado alimentado a pasto…
Lembrar ainda que consumir grande quantidade de nozes, amêndoas, etc também incrementa os O6…

Em resumo, poderemos ter grandes malefícios ou extraordinários benefícios com as nossas escolhas alimentares. Cada vez é mais importante fazer boas escolhas que impacte positivamente a nossa saúde. Que este texto, para além de vos adormecer vos estimule a pesquisar e perceber ainda mais…

Parafraseando livremente Hipócrates, o pai da medicina: ”Façam do alimento vosso remédio e do remédio vosso alimento”!

Sobre a relação entre a leptina e a grelina e as estratégias de inibição da primeira e estímulo da segunda pela indústria alimentar (alimentos que consumimos em quantidade pois “contornam” / inibem a saciedade, como coca cola, bolachas, etc… ) já tive ocasião de falar noutro post… 😉

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2 COMENTÁRIOS

  1. Fantástico post!
    O meu pai tem uma doença autoimune e faz muita atenção com os alimentos que ingere por isso tem menos sintomas que os médicos nem percebem muito bem porquê…alguma ignorância ou “deixa andar” por parte da medicina. Obrigada Eduardo!

    • A medicina convencional centra-se muito em tratar sintomas e não procurar a “raíz” dos problemas, sobretudo a nível metabólico e a sua relação com a nutrição. Felizmente uma corrente de “medicina funcional” parece estar a ganhar “força”, mas vai demorar muito a fazer diferença por cá…já leu https://wp.me/pa94ww-3B ?

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