Gravidez na Paleo

A Paleolítica moderna e “chic”, já não usa “macacão” de pele de tigre dentes de sabre…
Como a Paleo pode ser benéfica na gravidez

Tenho visto muitos comentários sobre adaptações de dieta em período de gravidez e/ou amamentação. À volta desse tema debate-se muito, mas nem sempre com a melhor fundamentação ou conselhos mais esclarecedores. Todos temos opiniões e naturalmente as “mamãs” mais ainda…

Não tendo evidentemente as “credenciais” ou experiência de “Mamã”, atrevo-me a fazer alguns considerandos que espero possam ser úteis.

Começar por dizer, baseado agora sim na experiência real própria do meu género 😉 , que uma mulher grávida, durante uma gravidez tranquila, emocionalmente segura e acarinhada, é uma mulher no seu expoente máximo de beleza. Uma grávida feliz irradia um brilho e serenidade tal, que a tornam verdadeiramente deslumbrante.

Infelizmente também pode ser por vezes um período de insegurança, receios e menor auto-estima. A gravidez é um período delicado em que milhentas alterações e desequilíbrios hormonais (e emocionais) ocorrem, profundas alterações no corpo e onde se torna extremamente importante a estabilidade, a segurança… Não será, no geral, a altura ideal para introduzir quaisquer profundas alterações no seu estilo de vida, não será altura para ter como prioridade algo mais que a sua saúde física e emocional e a garantia das “bases” para a gestação mais saudável do feto que se está a desenvolver dentro de si. Com isto quer dizer que objectivos de emagrecimento é demais preocupações “estéticas” deverão ser passadas a segundo plano. Não será saudável submeter-se a potenciais stresses, frustrações e angústias próprias de uma obsessiva dependência da balança…

A excepção ao que refiro acima será no entanto, a desejável mudança de uma dieta rica em alimentos processados / industrializados, para a adopção de uma dieta baseada em “alimentos verdadeiros”, muito mais ricos nutricionalmente.

A eliminação dos açúcares simples (refrigerantes, doces com açúcares refinados, etc), de óleos vegetais refinados e hidrogenados, de cereais, de gorduras trans e de laticínios (se verificar intolerância aos mesmos) é uma medida que só lhe trará benefícios a si e ao pequeno ser que se está a formar. Tal como as mulheres que decidem deixar de fumar durante a gravidez, essa mudança de estilo de vida é a única alteração que entendo suficientemente benéfica para recomendar o “esforço” da mudança. Faça-o no entanto ao seu ritmo, sem pressas ou stress.

Tecem-se muitos comentários sobre a ingestão de hidratos, nomeadamente uma maior “permissividade” ou até incremento da ingestão de hidratos no período de gestação e/ou amamentação…permitam-me uma vez mais uma opinião, fundamentada como habitualmente em pesquisas e estudos de diversas fontes…e a minha opinião é: Depende. Depende de qual é habitualmente a sua dieta “normal”, no seu dia a dia. Depende se, por aplicação regular de Low Carb e/ou Cetogénica, já tiver o seu metabolismo adaptado à utilização eficiente de gordura como principal combustível.

Como já referi em postagens anteriores, o único macro-nutriente NÃO essencial são os carbo-hidratos. Quero com isso dizer que poderíamos não ingerir NENHUM carbo-hidrato e passar bem. Isso acontece porque o nosso corpo consegue gerar glicose a partir de proteína (aminoácidos) ou mesmo a partir da gordura (triglicerídeos). Esse processo designa-se por gliconeogênese e visa prover alguns órgãos  das suas necessidades básicas de glicose.

Quero com isto tudo dizer que SE a gestante estiver eficientemente adaptada, não precisará aumentar a ingestão de carbo-hidratos nesse período. Poderá é incrementar a ingestão de boas gorduras.

A ingestão de hidratos não está igualmente associada a melhor produção de leite materno. No entanto REFORÇO a necessidade de manter um ambiente estável, confortável e seguro durante a gravidez / amamentação. Se não fazia restrições de hidratos no período anterior à gravidez / amamentação, não deve submeter-se ao stress de o impôr nesse período. Coma o que a faz sentir bem e segura.

Durante a gravidez NÃO necessita comer por dois (ou por 10, como algumas, liberdades” sugerem…😉). A partir do segundo trimestre as necessidades aumentam um pouco, mas não será “desculpa” para, “comer este mundo e o outro”…

Tinha redigido diversas mais considerações sobre cuidados nutricionais nesse(s) períodos e devido à importância do tema resolvi procurar mais informação e estudos sobre o mesmo, para confirmar ou enriquecer as minhas afirmações… Foi quando encontrei uma publicação de uma “blogger”, Chef de Cozinha e apaixonada pela nutrição, por quem tenho naturalmente o maior respeito e sincera admiração pelo seu percurso. Falo de Joana Moura, que talvez conheçam pelo seu livro “30 dias para mudar de vida, Detox Paleo”. A profundidade é qualidade dessa publicação fez-me “deitar fora” o meu rascunho de publicação. Entendi que a sua publicação, fruto igualmente de outras pesquisas que cita, está tão bem estruturada que faz mais sentido partilhá-la na íntegra, do que simplesmente a utilizar como “fonte” para complementar a minha. Entendo que desta forma também partilho convosco outra fonte de informação credível e assente em pesquisa e fundamentos científicos (e neste caso também na experiência de mãe… 😉)

GRAVIDEZ E AMAMENTAÇÃO EM REGIME PALEO por JoCooking

Autora igualmente do livro “Comer bem, crescer saudável”, sendo este último “um guia sobre alimentação infantil, para os pais que não se revêem na alimentação socialmente estabelecida e procuram uma nova forma de alimentar e promover saúde nos seus filhos.”

Deixo também o link para mais uma excelente publicação do Dr Souto sobre este assunto…

 

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