individualidadeAcho extremamente importante a noção de que não somos todos iguais, não reagimos da mesma maneira!

Todos temos características diferentes, particularidades fazem de nós seres únicos. Doenças auto-imunes, alergias e sensibilidades alimentares (FODMAP’s e outros), alterações genéticas, etc.

É evidente que sendo todos seres humanos, existem bases de fisiologia e metabolismo que são comuns a todos e conheçê-las é útil e quase incontornável na definição de estratégias de nutrição e estilo de vida, sejam para saúde, sejam para um processo de emagrecimento. Salvo raras excepções genéticas, a acção / influência da insulina  e cortisol, (e outros factores menos destacados) na obesidade, é a mesma em todos nós. É útil sabermos como funciona o nosso metabolismo para melhor podermos optimizar as nossas opções, as nossas estratégias (vocês já repararam que gosto desta expressão 😉).

A razão por que abomino recomendações de planos alimentares, ementas e “receitas semelhantes” é que a maioria das pessoas não entende que não existem planos que sirvam simultaneamente a todos. Nutricionistas sérios (mesmo os Primal / Paleo) não “sacam” de uma cópia de um plano que para lá têm guardado e aplicam-no a todos os “clientes” / pacientes…

Na definição de uma Dieta, seja feita por um profissional da área da saúde, ou por nós próprios (de preferência com alguns conhecimentos que permitam distinguir as melhores opções e combinações de alimentos), há que ter em conta a individualidade, as características únicas e necessidades específicas de cada qual… os próprios gostos e paladares são importantíssimos para essa definição.

Com um leque de opções tão vasto de bons alimentos, não há razão para me obrigar a consumir alimentos que não aprecio, só porque são “super alimentos” ou muito recomendados no meio Primal / Paleo!

Uma dieta de sacrifício não resulta e é fundamentalmente por isso (e obviamente por razões metabólicas / fisiológicas) que dietas restritivas baseadas em cozidos e grelhados, carnes e peixes magros e vegetais cozidos, não tem sucesso a médio / longo prazo e provocam o desânimo e abandono (falei sobre isso aqui). Se estão em Grupos Primal / Paleo / Ancestral já sabem bem que não é esse o caminho 😉

Acontece no entanto que o nosso paladar e opções mudam com o tempo e exposição a novos alimentos. Quando restringimos progressivamente mais os açucares / hidratos, vamos modificando o nosso “sentido do doce”… cada vez necessitamos de menos doce para ter prazer nas “sobremesas”. Deixar de ter medo das boas gorduras (que conferem mais sabor e textura aos alimentos) também nos abre “horizontes” para novas sensações gustativas. São frequentes os casos de pessoas que não toleravam abacate (e não se “obriguem” a comer, por favor…😉) virem a descobrir tempos mais tarde que afinal pode ser um excelente ingrediente / acompanhamento para acrescentar a alguns pratos. Também o fígado e outras carnes de órgãos não são frequentemente consumidos (e esses sim são o mais perto que temos de verdadeiros “super alimentos”), seja por questões de gostos pessoais, ou por má informação, visto associarem fígado e rins a receptáculos de toxinas, por serem os órgãos responsáveis pela filtragem, quando essa ideia é simplesmente mais um mito 😉 (a seu tempo também falarei sobre esse… ).

Em resumo:

  1. Mantenham uma mente aberta. Aceitem que muito do que “ouvimos dizer” nas últimas décadas está errado ou assenta em lugares comuns sem base científica. São Mitos!
  2. Procurem aumentar a vossa base de conhecimento e perceber “o porquê das coisas”. Conheçam como funciona o vosso corpo, os processos digestivos e metabólicos, as reacções hormonais… (pelo menos o básico, calma, não precisam de tirar um mestrado em fisiologia humana…😊)
  3. Percebam que o caminho para o sucesso dos vossos objectivos é adaptar o conhecimento e as boas opções às vossas características individuais. As vossas escolhas são isso mesmo: VOSSAS!
  4. Assumam a responsabilidade pelas vossas escolhas. A melhoria da vossa saúde está fundamentalmente nas vossas mãos.
  5. Não somos ilhas. Não vivemos em isolamento e não temos de “enfrentar” uma reeducação alimentar sozinhos. Quando fazemos opções que se encontram quase em “colisão” com as “crenças” vigentes, vamos enfrentar críticas e “avisos” “solidários” de quem acha que estamos num mau caminho. Quando mesmo familiares e amigos não nos encorajam (pelo menos até se surpreenderem com os resultados…), não é fácil manter a motivação / determinação neste caminho. Para isso a convivência com pessoas que seguem a mesma orientação, “perseguem” os mesmos objectivos é extremamente benéfica. A partilha de experiências, sucessos ou mesmo dificuldades e angústias, pode ser extremamente motivador. Juntem-se a comunidades positivas e dinâmicas (mesmo as virtuais) e ajudem-se mutuamente. O sentimento de pertença é poderoso!

Deixem-se influenciar mas mantenham a vossa individualidade essencial. Façam a PALEO À VOSSA MANEIRA (mas por favor, com um mínimo de conhecimento e base fisiológica real). 🙂

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