O “monstro” da Pré Menopausa / Menopausa…

Sim Querida…Não Querida…Tens razão Querida…

…ou porque a híper sensibilidade feminina não existe apenas uma vez por mês…

 

Trata-se sem dúvida um assunto delicado, apesar de sem dúvida interessar a um público “vasto” 😉. Foi necessário ser “provocado” por uma das senhoras que segue os meus textos (vá-se lá perceber que outros masoquismos saudáveis possa praticar) 😉para me “atrever” a escrever sobre este tema (e às escondidas da minha mulher…).

Antes de mais é importante referir que existem diferentes estágios na menopausa, que se torna necessário reconhecer e compreender.

Menopausa ocorre “oficialmente” quando a mulher para de menstruar (durante um ano ou mais).

A definição mais simples de pré-menopausa é a de que ainda não existem sintomas de perimenopausa ou menopausa propriamente dita. Nessa fase ainda existem períodos (regulares ou irregulares) e ainda são considerados “anos reprodutivos”. Podem decorrer alterações hormonais, mas não há mudanças fisicamente percetíveis.

A perimenopausa, por outro lado, é definida como “em torno da menopausa”. Também é conhecida como a fase de transição da menopausa, assim chamada porque acontece antes da menopausa.

Já durante a perimenopausa, a mulher começa a sentir os sintomas da menopausa (alterações no ciclo menstrual, ondas de calor, distúrbios do sono ou mais pronunciadas alterações de humor). 😉

Os temos pré-menopausa e perimenopausa são por vezes usadas de forma intercambiável, mas tecnicamente têm significados diferentes.

A Perimenopausa é “marcada” por uma acentuada queda na produção de estrogênio, a principal hormona feminina, produzido pelos ovários. Os níveis de estrogênio também podem subir e descer mais esporadicamente do que um ciclo normal de 28 dias, causando períodos irregulares e outros sintomas.

Durante os estágios finais da perimenopausa, será produzido cada vez menos estrogênio. Apesar dessa queda acentuada, ainda é possível engravidar. Esta fase da menopausa pode durar apenas alguns meses e até quatro anos.

 

Ambas constituem um período de transição, sendo que a perimenopausa e menopausa têm naturalmente diferenças em termos de sintomas e opções de “tratamento”.

O desequilíbrio nos níveis de estrogênios em circulação no organismo feminino pode produzir sintomas “desagradáveis” até dez anos antes da última menstruação, mesmo de forma leve, mas é a partir dos 45 anos, em geral, que seus efeitos começam a se fazer notar. 

A menopausa pode acontecer mais cedo do que o “normal” se:

  • Existir história familiar de menopausa precoce;
  • É fumadora;
  • Foi submetida a uma histerectomia ou ovariectomia;
  • Fez tratamentos contra cancro.

 

Todo o processo pode dividir-se em 5 fases distintas (que não vou maçar-vos a descriminar):

  1. Primeira fase ou início do climatério
  2. Segunda fase: ciclos com e sem ovulação
  3. Terceira fase: irregularidades menstruais
  4. Quarta fase: menorragia
  5. Quinta fase: confirmação da menopausa

 

Menopausa geralmente é “diagnosticada” quando uma mulher deixa de ter os seus períodos menstruais regulares, por um ano ou mais. Na realidade trata-se naturalmente apenas do sintoma mais óbvio. Em termos biológicos é mais útil definir a menopausa como um conjunto “saudável e normal” de alterações hormonais que levam a mulher a interromper a ovulação. De entre as alterações resultantes podemos destacar:

  • Níveis mais baixos de estrogênio;
  • Níveis mais baixos de progesterona;
  • Níveis mais baixos de testosterona;

Em conjunto, essas mudanças causam a interrupção dos ciclos menstruais regulares, entre muitas outras alterações, sendo uma das mais temidas o “famigerado” aumento de peso associado à menopausa!

Tendo em conta a importância dada a esse particular tópico, acho importante “pegar” já nessa questão… 😉

 

Aumento de peso na Menopausa…

Há muitas “informação” sobre aumento de peso na menopausa e muitas mulheres culpam as suas alterações hormonais pelos quilos indesejados, mas segundo dados objectivos de vários estudos como o SWAN entre outros, a menopausa em si não causa nenhum aumento extra de peso. 

Por exemplo, esta revisão não encontrou nenhum efeito “extra” da menopausa além do aumento de peso médio de ½ Kg por ano nos adultos em geral. Isto é igualmente apoiado por uma Revisão Cochrane 2000 que revelou que uma terapia de estrogênio não teve efeito sobre o peso corporal ou IMC (se a reposição hormonal não impediu o aumento de peso, é improvável que as alterações hormonais o causem).

Por outro lado, muitas mulheres ganham peso na “época” da menopausa. Isso não é causado pela menopausa em si. O acúmulo indesejado de gordura que muitas mulheres percebem é realmente devido a:

Desaceleração metabólica relacionada à idade: após os 40 anos, o metabolismo humano diminui naturalmente cerca de 5% a cada 10 anos. Podemos dar como exemplo, uma mulher de 64 Kg. Aos 25 anos, o seu metabolismo “precisaria” de 1452 calorias (Isso sem contabilizar qualquer atividade; ela queimaria 1452 calorias se passasse o dia todo em coma 😉. Para realmente viver, é claro que ela precisa de mais, dependendo de seus níveis de atividade); aos 55 anos, esse número diminuiria para 1311. Isso representa uma queda de 141 calorias por dia. Se continuar a comer a mesma quantidade de comida e não aumentar sua atividade, ela naturalmente ganhará peso apenas por comer como sempre fez.

Níveis mais baixos de atividade: muitas pessoas ficam menos ativas à medida que envelhecem, especialmente se os joelhos ou costas começarem a doer. E isso pode acontecer mais cedo do que se pensa. Nos dados do SWAN, por exemplo, 1 em cada 10 mulheres de 40 a 55 anos teve algum tipo de problema de mobilidade.

Podemos encarar essa informação como uma boa notícia 😉, porque significa que não há nada de “mágico” na menopausa que comprometa qualquer mulher a um aumento de peso inevitável. As mesmas estratégias que funcionam para a perda de peso em qualquer outro momento da vida também funcionarão na menopausa.

 

E quanto a composição corporal?

Algumas mulheres na menopausa nem notam diferenças nos números da balança (esse instrumento do demo) 😉. Mas notam uma mudança indesejada na composição corporal: menos músculos e mais gordura e em lugares mais perigosos(já falei aqui sobre gordura visceral).

Desta vez, lamento dizer, a menopausa é realmente a culpada. A queda nos níveis de estrogênio significa que as mulheres na pós-menopausa têm um padrão diferente de armazenamento de gordura. Em mulheres em idade reprodutiva, o estrogênio estimula o armazenamento de gordura ao redor dos quadris e coxas. Tecnicamente conhecida como gordura subcutânea, esta é a “boa gordura” que não representa nenhum risco para a saúde; na verdade, ajuda o corpo da mulher a se preparar para os desafios físicos da gravidez e da amamentação (mesmo que nem sempre a apreciem esteticamente). Se você pode “beliscar” a sua gordura e esta é mole, é gordura subcutânea (ver no artigo anterior outras formas de aferir tipo de gordura).

Quando os níveis de estrogênio caem durante a menopausa, as mulheres tendem a ver um padrão mais “masculino” de deposição de gordura. Em vez da gordura subcutânea “saudável”, elas passam a acumular mais gordura visceral nociva, tecnicamente chamada de “adiposidade central”, mas que outras pessoas baptizam com outros termos técnicos como  “barriga de cerveja” ou “pneu sobressalente”.

A gordura visceral é armazenada em torno dos órgãos e não apenas sob a pele. é um fator de risco significativo para doenças metabólicas e cardiovasculares.

A partir dos dados do SWAN, sabemos que níveis mais baixos de estrogênio estão associados ao acúmulo de gordura visceral. E outros estudos mostraram que a terapia de reposição de estrogênio traz uma pequena melhora na adiposidade central, sugerindo que as alterações hormonais da menopausa, e não apenas o envelhecimento em geral, são responsáveis por esse efeito.

 

E quanto a resistência insuliníca?

A menopausa está associada a um aumento pequeno, mas significativo, da resistência à insulina e da síndrome metabólica (maior dificuldade de metabolizar os carboidratos, levando a problemas crescentes com carboidratos que por sua vez provocam aumento de peso). Investigadores analisando dados do SWAN estimaram que as mulheres no seu primeiro ano de menopausa tinham 45% mais hipóteses de desenvolver síndrome metabólica do que mulheres na pré-menopausa, e as mulheres na pós-menopausa eram 24% mais prováveis – e a diferença não podia ser explicada pela idade, IMC ou outros fatores de confusão. Por outro lado, alguns estudos (como este ) descobriram que o aumento da resistência à insulina poderia ser inteiramente explicado pela idade, sem efeito observável da menopausa em si.

Mas seja na menopausa ou apenas pelo processo de envelhecimento, as mulheres mais velhas vêem um risco progressivamente maior de síndrome metabólica.

 

Evitar o aumento de peso na menopausa

Até agora, expusemos que:

A menopausa, por si só, não causa automaticamente aumento de peso (embora muitas mulheres travem maiores batalhas por manter o peso após a menopausa) A menopausa provavelmente piora um pouco a composição corporal (mais gordura e menos músculos) A idade está associada a um aumento na resistência à insulina, embora não esteja claro se isso é específico ou não à menopausa.

No seu conjunto pode não parecer muito favorável, mas se pensarmos que o aumento de peso por ocasião da menopausa não é simplesmente “hormonal” ou inevitável, isso significa que há margem para várias intervenções quanto a isso! Uma mudança alimentar para uma Dieta Paleo, (com especial vantagem se for de inclinação Low Carb), ou até uma abordagem ainda mais “radical” (se existir avançada resistência insulínica ou síndrome metabólica) com Dieta Cetogénica, seja durante ou pós-menopausa, pode fazer toda a diferença na obtenção de uma composição corporal saudável, estabilização de sintomas menos agradáveis e até obter o seu corpo “de praia” 😉

Em próximo episódio (que este já vai muito longo) pretendo falar sobre estratégias alimentares para melhoria dos sintomas mais desagradáveis, como as ondas de calor ou cefaleias… 😉 Tenham vocês paciência para me aturarem mais um pouco…

 

Algumas Fontes e literatura:

Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN)
http://www.swanstudy.org/

Revisão Cochrane 2000
http://summaries.cochrane.org/CD001018/hormone-replacement-therapy-has-no-effect-on-body-weight-and-cannot-prevent-weight-gain-at-menopause

Understanding weight gain at menopause
S. R. Davis, C. Castelo-Branco, P. Chedraui, M. A. Lumsden, R. E. Nappi, D. Shah, P. Villaseca & as the Writing Group of the International Menopause Society for World Menopause Day 2012
https://www.tandfonline.com/doi/full/10.3109/13697137.2012.707385

Menopause and metabolic syndrome: A study of 498 urban women
Medical Research Centre of Kasturba Health Society, ICMR Advanced Center of Reverse Pharmacology.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21716770

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