…ou Buda ou Maomé, pois Jejum tem relevância em quase todas as religiões…

Ultimamente vejo muitos comentários sobre Jejum, seja o Intermitente ou o prolongado. Vejo muitas dúvidas, muita curiosidade, desde as típica indignação por “algo tão radical que só pode fazer mal”, até às pessoas que se forçam a jejuar porque “isso faz milagres”…

Jejum

Jejum, sobretudo a expressão Jejum Intermitente está na moda. A expressão autofagia também. Se há um ano atrás se defendesse jejum como algo potencialmente saudável, com efeitos benéficos ou mesmo terapêuticos, a reação da maioria seria de profunda descrença. Quem o propusesse não estaria bom da cabeça. No entanto desde que o Prémio Nobel da medicina foi atribuído a um estudo da Autofagia (renovação celular / mitocôndrias) em processos de Jejum e desde que o investigador galardoado “atacou” o dogma de comer várias vezes ao dia…que já não é uma loucura tão grande os Jejuns…

 

 

Começar por dizer que jejuns são reconhecidos como terapêuticos e utilizado no tratamento de doenças, desde pelo menos a antiguidade clássica. Também os médicos gregos e romanos recorriam a jejum em tratamento de várias patologias, nomeadamente epilepsia…quase todas as religiões prevêem períodos de Jejum (Quaresma, Ramadão, etc…). Clareza mental associada a visões, comunicação transcendental, mais eficientes práticas meditativas, desintoxicação de corpo e mente, etc…

Os jejuns estão associados a estados de clareza e acuidade mental acima do normal. Os antigos filósofos exigiam aos seus discípulos / aprendizes, períodos de jejum, para estimular essa clareza mental. Mais recentemente, estudos feitos em prisioneiros de guerra dos japoneses, detidos em campos de concentração durante a 2a Grande Guerra, relatam casos extraordinários de “destreza mental” em prisioneiros submetidos a jejum forçados, nomeadamente indivíduos que aprendiam / dominavam uma língua estrangeira em uma semana, ou que “liam’ livros inteiros simplesmente de memória. Esses fenômenos estão associados à utilização preferencial de corpos cetónicos para o funcionamento cerebral (mas isso é todo outro post… 😉)…

O Jejum é hoje em dia utilizado com grande sucesso no tratamento de várias doenças metabólicas como diabetes (sobretudo tipo 2, obesidade,etc…), sendo de destacar o trabalho do Dr Jason Fung, nefrologista canadense que há muito utiliza jejum como estratégia / ferramenta terapêutica,sendo considerado uma das maiores autoridades mundiais nesse assunto.

Quando o corpo não está ocupado com processos digestivos, que ao longo do dia lhe consome grande parte da energia, pode concentrar-se em regenerar-se, combater processos inflamatórios, etc… Daí falarmos em “sono reparador” (outro período maior em que estamos libertos dos processos digestivos) . Frequentemente nos deitamos doentes, febris e acordamos recuperados…

Tem naturalmente mais facilidade em fazer Jejum, quem já tem uma dieta não “refém” do excesso de carbo-hidratos. Quem já adaptou o corpo a utilizar mais a gordura como combustível para o corpo (e utilizar gordura corporal armazenada para esse efeito). Essas pessoas, quando em jejum, simplesmente activam a queima das reservas acumuladas e passam a alimentar-se do Donut que comeram em 2006…😉 daí que seja possível a pessoas com maior gordura acumulada, chegar a recordes como o escocês que ficou 382 dias em jejum (só com líquidos e alguns suplementos, tendo sido medicamente acompanhado).

Crianças, mulheres grávidas ou a amamentar, pessoas extremamente magras, subnutridas ou com histórico de distúrbios alimentares, não devem praticar jejum.

O Jejum não deve ser encarado como uma dieta milagrosa (chamar Dieta à ausência de alimentos, ao acto de não comer é basicamente absurdo, será quanto muito uma Não-Dieta, mas há quem persista em usar o termo…) Pode ser uma ferramenta para ultrapassar um plateau de perda de peso, quando fazemos tudo bem, mas o corpo teima em fixar aquele peso, aquele equilíbrio homeostático que ainda não é o que queremos… comigo foi o que resultou. Jejum Intermitente toda a noite e manhã (nunca tenho fome de manhã) e um ou dois Jejuns mais prolongados por mês (36 a 48h). Mas não é indispensável. Não é mais Paleo por isso…

O Jejum Intermitente refere-se a seguir protocolos que prevêem períodos sem comer e uma janela de tempo em que se come. Ex:protocolo 16/8h. Fica 16h sem comer, entre as 20h e as 12h e come entre as 12h e as 20h.

Jejum prolongado é quando se passa mais de 24h sem ingerir nada que não líquidos não calóricos (água, chás, café). Deve privilegiar se a hidratação e o consumo de sal (em jejuns superiores a 48h, deixar ainda derreter algumas pedras de sal sobre a língua, de 2h em 2h horas e muita hidratação…

Ao início de jejuns mais prolongados, podem recorrer a “caldo de ossos”. Tecnicamente “quebra o jejum”, mas mantém-se os principais benefícios e é uma forma de ir “treinando o músculo do Jejum”.

Os especialistas e muitos utilizadores de jejum têm reportado dificuldades relativas com sensações de fome até ao terceiro dia, sendo que tipicamente referem que ao quarto dia surge uma energia renovada, uma maior clareza mental e desaparecem as sensações de fome. E sim, continuam vivos e a fazer uma vida normal, incluindo ir ao ginásio…

Após um período maior de Jejum, não devemos reintroduzir os alimentos “à bruta” recomenda-se que introduzam devagar, primeiro um punhado de frutos secos, um ovo cozido e umas duas horas depois uma refeição normal, de preferência com muito poucos hidratos. A reintrodução após períodos de mais 5 dias e com ingestão de mais hidratos pode levar ao “Refeeding Syndrome”, que se refere a severos desequilíbrios de eletrólitos / sais, provocados sobretudo pela súbita reintrodução de alimentos com especial ênfase nos hidratos…

Há quem faça um misto de Jejum prolongado com Intermitente, ficando 24h em Jejum intervalado com 36h a comer e mais 24h de jejum… etc…

Reitero que nem toda a gente deve fazer jejum. Nem toda a gente tem vantagem ou necessidade. Quem tenha doenças de foro metabólico ou auto-imunes poderá ter vantagens, mas não deve fazê-lo sozinho. Exemplo são os Diabéticos que só com acompanhamento médico (sobretudo com insulina para ajuste dinâmico de doses)…

Adaptem-se primeiro a um Paleo Low Carb, verifiquem a natural perda de fome entre refeições (com dispensa de lanchinhos) e depois podem experimentar ir saltando uma ou outra refeição…

 

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