Insulina Vs Leptina

Insulina vs Leptina no processo de obesidade

Esta publicação poderá talvez designar-se por “Mixórdia de Temáticas Paleo”, ou simplesmente mais uma das minhas verborreias mentais…😉 esperemos no entanto que possam ser úteis aquela meia dúzia que até gosta de perceber o funcionamento da “coise”… 😉
…quanto aos outros “civis inocentes” apanhados no fogo cruzado de termos pseudocientíficos, que me desculpem, tentem, como de costume, ignorar-me e passar ao lado…ou guardem para ameaçar as vossas crianças se não quiserem comer os legumes, ou aquele colega chato que fala demais…

Adiante… Penso que ainda existem algumas dúvidas sobre o fenómeno da insulina e da sua influência no nosso processo de “engorda” e demais influência em doenças auto-imunes. Também a sua relação com o metabolismo dos macronutrientes (sim, não são só os hidratos de carbono) pode não ser ainda muito óbvia, pelo que tentarei aumentar um pouco mais essas dúvidas, com mais alguns dados… 😉😁

Como já me devem ter “ouvido dizer”, o excessivo estímulo da insulina, não só pelo maior consumo de hidratos, como pela maior frequência de refeições propostas pela “dieta convencional”, é o principal vilão no estado de desequilíbrio hormonal associado a situações de obesidade, diabetes tipo 2, Alzheimer entre outras doenças auto-imunes. O frequente estímulo da produção de insulina leva à resistência insulínica, em que o corpo necessita cada vez mais insulina para produzir os mesmos efeitos, uma vez que as nossas células vão desenvolvendo “habituação / resistência” à acção desta.

A insulina é “solicitada” para a metabolização tanto dos hidratos de carbono, como da proteína. Ambos esses macronutrientes são metabolizados pelo fígado. Após ingestão, os hidratos de carbono são decompostos em glicose e as proteínas em aminoácidos, sendo ambos absorvidos pelo intestino curto e encaminhados directamente para o fígado. No fígado e de acordo com nossas necessidades, a glicose é transformada em glicogênio (armazenado numa solução líquida (uma das razões pela qual a restrição de hidratos de carbono leva a uma perda inicial de líquidos / peso) ou transformada em triglicerídeos, armazenados nas células adiposas. Os aminoácidos são utilizados em todos os processos de “construção” ou o seu excesso por sua vez transformado em glicose através da gliconeogénese e em glicogênio ou triglicerídeos (razão pela qual até excesso de proteína pode ser prejudicial).

Insulina Vs Leptina
A metabolização da gordura é completamente diferente. A gordura na dieta é absorvida através do sistema linfático, directamente armazenada nas células adiposas, sem estimulação da insulina. Daí poderá ser utilizada como combustível, se a insulina o permitir…
Entre as funções da insulina, as que mais comprometem o nosso processo de emagrecimento é simultaneamente o “bloquear” da utilização da gordura corporal como combustível (pela presença de hidratos) e o bloqueio / insensibilização à leptina.

A leptina, como já tive ocasião de referir em post anterior, é a principal hormona envolvida no mecanismo de saciedade. Sabemos que existem alimentos mais saciantes, que nos permitem comer menos quantidade e ficar satisfeitos por muito mais tempo. Esses alimentos têm esse efeito quer pela sua densidade nutricional, quer pela sua boa biodisponibilidade (eficiente aproveitamento dos nutrientes), sendo os principais a proteína animal e a gordura. Tendo em conta que a proteína animal ainda estimula a produção de insulina (curiosamente o peixe branco é das proteínas com maior índice insulínico) para efeito de redução de insulina, alimentos ricos em gordura são a melhor aposta (daí a opção de Turbinados para prolongar o Jejum insulínico).

A leptina é activada pelo depósito da gordura nas células adiposas. Estas ao aumentarem de tamanho estimulam a produção de leptina que comunica ao cérebro que estamos “cheios”, podemos parar de comer… No entanto, a presença constante de insulina inibe a acção da leptina e pode levar à insensibilização a esta hormona (deixamos de “ouvir” o sinal da saciedade. Em estudos de obesidade chegaram a suplementar doses de leptina, mas tal não foi eficaz. A leptina, mesmo com suplementação, não consegue sobrepor-se à insulina, não tem “força” que chegue. É Bullying hormonal!! 😉😁

Quando no embate Insulina vs Leptina a insulina vence constantemente, dá-se a obesidade (e com o tempo a resistência insulínica e outras doenças metabólicas).

A eficácia, em processos de emagrecimento, da utilização como estratégia, de prolongada redução de hidratos (Paleo Low Carb) e do eventual recurso a Jejum Intermitente, intervalado ou prolongado, como estratégias de emagrecimento, está muito ligada à redução da insulina em maiores períodos, permitindo também a gradual re-sensibilização à leptina (voltamos a “ouvir” os sinais de saciedade…).

Sobre a relação entre a leptina e a grelina e as estratégias de inibição da primeira e estímulo da segunda pela indústria alimentar (alimentos que consumimos em quantidade pois “contornam” / inibem a saciedade, como coca cola, bolachas, etc… ) já tive ocasião de falar noutro post… 😉

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