HIPOGLICEMIA NÃO É PRA MENINOS!!

ou “fraqueza” no treino em jejum…

Muitas pessoas expressam receios sobre a questionável eficiência e adequação à saúde, de Dietas Low Carb ou Very low Carb (cetogênicas), sobretudo quando associadas à questão da performance desportiva. Esses receios são sobretudo baseados em conceitos ultrapassados de carb loading (simplificando trata-se da ingestão de grande quantidade de hidratos na véspera da prova / competição, de forma a “armazenar” energia) como a estratégia mais eficiente para assegurar performance desportiva (já falei por aqui nos exemplos opostos de utilização de cetogênica e jejum por ultra-maratonistas e ciclistas para uma bem eficiente disponibilização constante de energia…).

Um dos mais comuns “receios” associados a Low Carb e sobretudo em opções de adição de Jejum e consequente treino em jejum, é o de poder levar a uma hipoglicemia, a uma “quebra de açúcar”!! Nesse sentido convém esclarecer um pouco mais em que consiste hipoglicemia e o porquê dos “mal estares” nos treinos em jejum (que por norma nada têm a ver com hipoglicemia):

 

valores hipoglicemiaHipoglicemia é uma redução de glicose no sangue, tipicamente associado a valores abaixo dos 70 mg/dl. Sintomas típicos são fraqueza, suores, tremores e sensação de desmaio. Embora a maioria dos casos de hipoglicemia ocorra como efeito colateral do tratamento do diabetes, ela também pode surgir, raramente, em pacientes não diabéticos.

A hipoglicemia que surge “naturalmente” sem influência directa da ingestão de alimentos, é rara e os casos conhecidos são quase exclusivamente associados a uma rara condição de saúde que produz tumores nas células beta do pâncreas (as responsáveis pela síntese de insulina), tumores esses designados insulinomas (referidos igualmente neste artigo, que aborda a relação da insulina com a obesidade) que provocam uma secreção elevada de insulina, mesmo na ausência de estímulo alimentar. Pacientes com insulinomas, sofrem, enquanto dura a enfermidade, de elevado aumento de peso (dos primeiros sintomas) e se persistir, de resistência insulínica.

A Hipoglicemia msintomas hipoglicemiaais comum, como já referido, surge como consequência colateral de tratamento de diabetes, sobretudo quando associado a consumo de carbo-hidratos. O consumo de carbo-hidratos leva a um pico de insulina, o que por sua vez leva a uma produção potencialmente excessiva de insulina (nos casos de diabetes tipo 2 em que há produção de insulina, mas associada a resistência insulínica, que promove a produção de muito mais insulina do que a “normalmente” necessária). A hipoglicemia também é frequente em casos em que a dose de insulina injectada (em pacientes com diabetes tipo 1 ou em diabetes tipo 2 em estágio avançado, cujo pâncreas que já não produz insulina) é excessiva relativamente ao estímulo alimentar, levando a uma redução desproporcionada de glicose no sangue. CONCLUSÃO: Mais vale evitar os hidratos para manter a glicose estável.

Em pessoas saudáveis, sem qualquer das doenças referidas acima e sem resistência insulínica, a hipoglicemia é um evento muito raro. Mesmo após muitas horas em Jejum, o nosso organismo é capaz de mobilizar quer as reservas de glicogênio e gordura de forma a fornecer quantidades suficientes de açúcar para o sangue (Ver gliconeogênese…). Já aqui tenho referido os mecanismos de homeostase (busca do equilíbrio) do nosso organismo, neste caso da estabilidade do nível de glicose no sangue. Mesmo que se fique vários dias sem comer, ainda assim não existe risco de desenvolver hipoglicemia, desde que existam “reservas” suficientes (ver o artigo sobre Angus Barbieri, o mais longo jejum acompanhado, que se conhece).

Quando existem pessoas que referem que se “sentem mal” ao treinar em jejum e referem que tiveram uma “quebra de açúcar” no sangue, associando tonturas e fraqueza à falta de alimento prévio (e frequentemente recomendando a ingestão de açúcar), na esmagadora maioria dos casos estão a confundir hipoglicemia com lipotímia ou hipotensão postural. Esses sintomas ocorrem frequentemente após um exercício em que se passa de uma posição mais baixa (ou deitada) para rapidamente de pé, ocorrendo uma queda brusca da pressão arterial, que se pode denominar igaulmente «hipotensão ortostática». Dá-se assim uma lipotímia postural (relacionada com mudanças bruscas de postura). Na verdade a maioria das tonturas estão associadas a quedas de pressão arterial.

Pressão arterial

Quando ocorre uma queda com sintomas (tonturas, sensação de desmaio, fraqueza, entre outros) da pressão arterial sistólica (máxima) igual ou maior que 20 mmHg ou pressão arterial diastólica (mínima) igual ou maior que 10 mmHg ou uma redução pressão arterial sistólica (máxima) a níveis menores que 90 mmHg. Os mesmos valores podem ser considerados para o diagnóstico em pacientes sem sintomas.

Também uma deficiente hidratação pode aumentar os riscos de queda de pressão arterial. Beber mais água durante o exercício pode ajudar. Relembrar ainda que numa dieta Low Carb, é conveniente aumentar um pouco a ingestão de sal. Em Low Carb existe uma maior maior excreção de água pelos rins, menor retenção de líquidos e consequente redução de sódio. Tendo em conta que o sódio ajuda a fixar outros sais minerais, carências de sódio podem levar a, ou intensificar desequilibrio eletrolítico.

O melhor “remédio” é simplesmente sentar-se, ou ainda melhor, deitar-se e esperar uns instantes que passe. Por norma é questão de 1 ou dois minutos. Dizer que comer açúcar tem o mesmo efeito, um ou dois minutos depois da ingestão, é uma realidade, não pelo açúcar, mas pelo passar do tempo… 😉

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