NUTRIrevolução | Gordura para que te quero?!

Ou porque as senhoras têm mais dificuldade em emagrecer…

Não valorizamos de todo a gordura no nosso corpo. Temos a “fixação” numa cultura “fit” em que magreza é formosura e o ideal de beleza roça quase a anorexia. Mesmo os homens, menos sensíveis a esse tipo de mensagem, quando emersos num ideal de saúde e fitness têm tendência a valorizar uma percentagem extremamente baixa de gordura corporal, como se o ideal fosse abaixo de 10%…

As pessoas procuram o que lhes parece as mais eficientes soluções para perder peso, procuram simplesmente emagrecer rápido, pesquisam “desesperadamente” a melhor dieta para emagrecer, vão atrás das dietas da moda, vão atrás das “DEPURALINA EXPRESS”, das “HERBALIFE” desta vida, e fazem realmente as coisas mais estapafúrdias…

Paradoxalmente já começamos a perceber que a gordura na dieta é importante e saudável. Começamos, nem que seja em pequenas “famílias” como a nossa, a perceber como a gordura dietética foi “vilanizada” e que realmente não é a gordura que nos engorda ou que é responsável pelo aumento de colesterol.

A gordura, no seu colectivo é um importante  órgão do nosso corpo. Tal como a pele, em que um pedaço é simplesmente tecido, mas considerada na sua totalidade é um órgão (com funções de protecção, arrefecimento, etc…), a gordura é também um órgão, na verdade um órgão essencial. Gordura e colesterol fazem parte da estrutura do nosso corpo. Estão presentes em todas as células.

Cerca de 80% do nosso cérebro é constituído por gordura. A bainha de mielina, essencial na transmissão do impulso nervoso, que cobre os nossos axônios é uma substância 85% lipídica (adivinhem… gordura!). A gordura está ligada ao sistema reprodutor e ao nosso sistema imunitário. Colectivamente segrega hormonas essenciais como a leptina (a tal hormona da saciedade) e armazena calorias como fonte / reserva de energia. Nós não valorizamos a nossa gordura corporal, mas o nosso corpo valoriza e muito, daí que resista e dificulte a perda de peso, sobretudo em cenários em que estejamos a restringir a ingestão de gordura, na ilusão de que nos vai ajudar a emagrecer…

Naturalmente, mesmo pondo de parte os actuais ideais de beleza, obesidade não é, no geral saudável… Conhecemos no entanto muitos casos de “gordos saudáveis”, aqueles que possuem visível excesso de peso, mas em que tal não é acompanhado por doenças metabólicas. Não são diabéticos, têm uma glicemia perfeitamente normal, bons níveis de triglicerídeos e não têm “problemas” de colesterol. Um exemplo flagrante são os lutadores de Sumo. Concordamos todos que são obviamente obesos, mas a maioria, até à sua reforma, são indivíduos saudáveis. Tal deve-se essencialmente a dois factores: o tipo de gordura predominante e o nível de exercício físico (treinam cerca de seis horas por dia).

Tipos de Gordura

A gordura pode dividir-se em três tipos: Gordura branca, gordura beje e gordura castanha. Esta última é considerada a boa” e tem um papel oposto ao da branca. Enquanto a primeira promove a acumulação de gordura como reserva de energia, a castanha promove oxidação da gordura para produção de calor (activada pela exposição ao frio ou exercício). A beje é susceptível de conversão em gordura castanha, sobretudo através da prática de exercício físico. Até 2015 acreditava-se que a gordura castanha só existia nos recém nascidos ou enquanto bebés e se perdia com o crescimento. Actualmente sabe-se que mesmo os adultos dispõem de depósitos de gordura castanha, normalmente localizada na zona da espinha vertebral, clavículas e coração.

Gordura subcutânea e visceral

Podemos classificar a gordura essencialmente como subcutânea e visceral. Essas gorduras são essencialmente gordura branca, mas a gordura de topo visceral é a pior, altamente inflamatória e situando-se à volta dos nossos órgãos internos, fígado, coração, estômago, etc… Excesso de gordura visceral “provoca” o nosso sistema imunitário e sabe-se hoje que tem directa influência no desenvolvimento de resistência insulínica, contribuindo para reduzir a sensibilidade das células à insulina.

A gordura corporal também segrega uma hormona denominada adiponectina, que tem funções de “limpeza do sangue”, movendo ácidos gordos circulantes para a zona subcutânea onde são mais seguros. A adiponectina é estimulada pelo exercício físico, sendo essa conjugação benéfica para a redução da gordura visceral, promovendo ainda essa hormona a remoção de gordura visceral dos nossos órgãos, “transportando-a” para a periferia.

A obesidade dos atletas de sumo é sobretudo gordura subcutânea, não visceral e por isso (aliado à quantidade de exercício físico) apresentam surpreendente saúde metabólica. Por norma fazem uma alimentação baseada numa enorme quantidade de calorias diárias, mas essencialmente sem prevalência de alimentos processados. Após a reforma surgem os problemas metabólicos, associados a tendencial mudanças de dieta para alimentos processados e falta de exercício físico.

Especificidades das senhoras

As senhoras têm, por razões evolutivas, associadas à reprodução e amamentação, maior resistência à perda de gordura e uma maior tendência para a armazenar, quando comparadas com os homens. Estudos estatísticos demonstram que recém nascidos do sexo feminino têm em média maior peso e mais gordura na composição corporal que os do sexo masculino. A percentagem de massa gorda que o metabolismo feminino procura manter é maior que a dos homens. A título de exemplo,estudos demonstraram que adolescentes do sexo feminino não entram na puberdade e não iniciam menstruação se tiverem menos de 17% de gordura. Da mesma forma, bailarinas ou atletas num registo muito intenso de treino e restrição calórica, podem interromper a menstruação. O mesmo acontece com mulheres com anorexia nervosa.

No seu “design” as mulheres foram concebidas para aceder, utilizar e armazenar mais gorduras. Em 100 calorias, mulheres armazenam 30 no tecido adiposo e os homens 15. Por outro lado acedem mais facilmente à gordura como combustível do que os homens. Tanto numa situação de jejum como em exercício físico utilizam mais rapidamente gordura enquanto homens esgotam glicogênio. Mas após jejum ou exercício, também repõem mais rapidamente gordura (até porque a grelina, hormona do apetite é mais estimulada nas mulheres no pós exercício), retirando a gordura dietética do sangue, para armazenamento. Essa acção contribui para uma mais eficiente “limpeza” do sangue e também é factor para a melhor saúde e longevidade nas mulheres.

Redução de massa gorda & Metabolismo basal

Quando alguém, através de dietas e exercício físico, reduz de forma muito acentuada a sua percentagem de gordura, ocorre uma redução do metabolismo basal, que perdura mesmo anos depois, para além de que o corpo resiste a esse estado e procura recuperar parte ou a totalidade desse peso perdido. Frequentemente quem emagrece dessa forma acaba por relativamente rápido recuperar o peso perdido, por um lado porque erradamente assume que pode permitir-se voltar a comer sem restrições e por outro lado pela redução do metabolismo. Essa resistência (que entre outros fenómenos aumenta a produção de grelina). Flagrante exemplo são os participantes do “Biggest Looser” em que quase todos os participantes, 6 anos depois do programa original, recuperaram praticamente todo o peso perdido. Tal aconteceu sobretudo porque essa perda se baseou em métodos muito pouco saudáveis e não permanentes, como grande restrição calórica e treino físico intenso e violento. Nada como o que propomos com o nosso estilo de vida, dieta ancestral Paleo com inclinação Low Carb… 😉

 

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