…ou porque será que ainda não nos conseguimos libertar de alguns preconceitos e maus conceitos?

 

AVISO: Segue-se um texto longo, com muitas vírgulas e pontos finais. Para acrescentar alguma emoção talvez até adicione pontos de exclamação!! (viram… ?! Toma…Vai buscar! 😉)

Quem conseguir ler até ao fim arrisca-se a ficar a saber um pouco mais sobre mecanismos do metabolismo. Arrisca também a expandir algo mais do que o perímetro abdominal, se bem que expandir o cérebro não pesa…

Foram avisados…continuem a ler por vossa conta e risco…(possivelmente serei expulso depois deste post…) 😎

Tenho uma amiga… (tenho várias, mas esta a minha mulher sabe…) que há anos que está em dietas. Umas vezes motivada pelo peso, outras pela saúde, pra combater Intestino irritável, gastrite, etc…
Essa amiga tem experimentado de tudo o que se diz ser saudável. Já passou pelos leites e iogurtes de soja, pelos cereais integrais de manhã, produtos biológicos, iogurtes zero, sem lactose, mais recentemente os pães e outros produtos sem glúten, carnes magras, proteína… A colecção toda, no fundo….

Essa minha amiga, como tantas outras pessoas, naturalmente anseia por perder peso,  emagrecer rápido e naturalmente já experimentou pelo menos 345 versões do que lhe parecia ser a melhor dieta para emagrecer. Como tanta gente já experimentou a “DEPURALINA EXPRESS”, e até os productos “HERBALIFE” e semelhantes, com resultados pouco efectivos e duradouros.

Recentemente descobriu a Paleo / Primal, os “alimentos verdadeiros”, desembalar menos, descascar mais, bicho e planta e não ter medo das gorduras saudáveis…
Mas alguns meses depois não teve resultados assim tão espectaculares e atingiu um “plateau” na perda de peso (estagnou).

Porquê?! Porquê se até come Paleo e faz algum exercício regular?

A questão do exercício físico Não ser determinante para perda de peso fica pra outro post, OK?! (já sinto a polémica que isto vai gerar…) 😉

O problema da minha amiga é que é muito difícil abandonar completamente ideias que nos foram “marteladas” tantos anos…e ela está a tentar fazer algo que lhe parece lógico para acelerar, mas que simplesmente não resulta, pelo contrário…está a tentar fazer Low Carb & Low Fat que simplesmente não funciona!!

Low Carb & Low Fat não funciona!

Ou seja, ela está a tentar reduzir carbohidratos e também reduzir gordura. São muitos anos com iogurtes e outros alimentos magros e a ouvir no ginásio a dizer que tem de consumir carnes magras como frango e peru e coelho…bla,bla, bla…Os pratos têm quase sempre salada ou legumes, frango ou peru grelhado ou peixe branco cozido. Pontualmente uma batata doce ou Quinoa… Como muitos de nós, está a usar azeite VE pra cozinhar e pontualmente óleo de côco (não muito pois não aprecia o sabor…).
Não conseguiu abandonar por completo os snacks (o que não admira pois há muito pouca gordura para fornecer saciedade / energia) e vai alternando ovo cozido (óptimo) com SKYR (mau). O SKYR tem 0% de gordura e é muito rico em proteína…

Em resumo, temos uma alimentação pobre em carbohidratos, pobre em gordura e com maior percentagem de proteína…e diriam muitos que isso é excelente, pois a proteína é essencial para a manutenção massa magra e reparação muscular e celular. O problema é que o nosso metabolismo não usa directamente proteína como fonte de energia…
O nosso corpo funciona com dois tipos de energia: gordura e carbo-hidratos. A principal fonte de energia ao longo da nossa evolução foi a gordura. Sim, a gordura e não os carbo-hidratos!… (repararam em mais um ponto de exclamação?!) 😉
Em bebés funcionamos em cetose. Utilizamos ácidos gordos e corpos cetônicos  como fonte de energia. O leite materno praticamente não tem hidratos e é rico em gordura e está especialmente formulado para as nossas necessidades.
Até ao surgimento da agricultura os hidratos de carbono eram quase exclusivamente da fruta no Verão (não havia fruta todo ano) e o fantástico fenômeno da insulina armazenar hidratos como gordura nas células, fazia todo o sentido, pois usavam-nos como reserva para o inverno. Nessa altura enfrentavam períodos de escassez de alimentos e mais frequentes períodos de jejum prolongado (forçado). Viver das reservas era algo normal…a exemplo da hibernação dos ursos… 😁

Todas as células conseguem utilizar glicose…mas curiosamente os hidratos são o único macronutriente não essencial. Teoricamente poderíamos não ingerir NENHUM carboidrato e passar muito bem. Isso acontece porque a fantástica máquina que é o nosso metabolismo, consegue produzir a própria glicose que necessita. Faz isso através da gliconeogénese, que é um palavrão enorme para a criação de glicose fundamentalmente a partir da conversão de proteína. Assim, a proteína em excesso é convertida em glicose e o excesso de glicose continua a ser armazenada como triglicerídeos, por acção da insulina…e continuamos a engordar…ou pelo menos a ter dificuldade em perder peso.

A outra principal razão para isso é a prioridade do corpo na “sobrevivência” e quando sente que lhe estamos a cortar simultaneamente nas duas principais fontes de energia, a sua reação de defesa é contrariar / resistir ao gasto da energia que tem armazenada (a gordura).
Ou seja, NÃO podemos cortar na gordura para perder a nossa gordura. O nosso corpo sente que continuamos a ter fornecimento de energia / gordura e não vai limitar, pelo contrário, vai estimular a sua utilização como combustível.

Assim para emagrecer de forma mais optimizada, devemos reduzir bastante os carboidratos, ingerir proteína de acordo com as nossas necessidades (mais para quem treina intensamente) e até incrementar um pouco a ingestão de gordura (sim, não é só não ter medo desta)…

Se conseguiram ler até aqui sem adormecer… O meu absoluto respeito, não sei se eu próprio conseguiria… 😉😁😂

 

Print Friendly, PDF & Email

2 COMENTÁRIOS

    • Ainda bem que foi do seu agrado! Espero poder contribuir para maior esclarecimento sobre nutrição, com informação séria e fundamentada.
      Obrigado pelas amáveis palavras!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here