Paleo

Mas afinal o que é isso da dieta Paleo?

O tema da dieta *Paleo” ou dieta do Paleolítico popularizou-se também entre nós, com especial destaque nos últimos 2 anos.

O termo paleo foi primeiro utilizado (e registado) em 2002, quando o cientista norte-americano Loren Cordain, especialista em Nutrição e fisiologia, fundador do movimento Paleo, publicou o livro A Dieta do Paleolítico, onde defende (dito de uma forma muito simplista) que a nossa alimentação deve ser baseada nos hábitos alimentares adquiridos pelo homem durante o período Pré-Agrícola.

A Dieta Paleo, proposta por Cordain, era inicialmente muito mais restrictiva, destacando-se de outras “correntes” ou adaptações que foram propostas mais tarde, (como a “Primal”), pela recomendada redução de consumo de ovos e restrição de lactícinios, tubérculos (entre outras diferenças). Mais tarde o próprio Cordain viria a rever / alterar algumas dessas recomendações, através de uma edição totalmente revista de A Dieta do Paleolítico revised edition.

A argumentação a favor de uma dieta ancestral assenta numa perspectiva evolutiva. A espécie humana habita a terra há cerca de 2 milhões de anos, e a espécie que somos hoje teve a sua origem durante o período paleolítico. Quando referimos a espécie humana incluímos os nossos antepassados Homo Habilis, Homo erectus ou Homo antecessor. Em termos evolutivos e genéticos, somos basicamente idênticos ao que éramos há muito mais de 100.000 anos e o nosso sistema digestivo não se modificou assim tanto (a evolução acontece em termos gerais em períodos muitoooo longos!) É verdade que existiram algumas adaptações genéticas nesse período. Existem populações com uma mais prolongada história de pastorícia / domesticação de gado que desenvolveram maior capacidade de digestão / tolerância lactose, sendo no entanto que calcula-se que mais de 70% da população mundial seja intolerante. Também populações que consomem grãos há mais tempo (como japoneses), têm mais  genes activos que controlam a amilase, uma enzima que decompõe amido. No entanto, essas são consideradas “adaptações menores”.

Durante a esmagadora maioria desses 100.000 anos, a humanidade foi essencialmente caçadora / recolectora. Até ao advento da agricultura, há cerca de 10.000 anos, a alimentação da espécie humana assentava sobretudo em carne, peixe, raízes e frutas (sazonalmente, numa curta época, fundamentalmente o verão). Naturalmente existiram algumas diferenças na alimentação, dependendo das características do habitat onde as populações humanas caçavam ou recolhiam os seus alimentos. Não existiam basicamente cereais (o seu consumo alargado só foi introduzido pós agricultura). Com a agricultura surgiu, para além do consumo de cereais, a domesticação de animais (gado) e o consumo de lactícinios (animais selvagens não são muito colaborantes com recolha de leite… 😀 ). Em termos de evolução humana, corresponde a um breve instante na nossa linha cronológica. Se falarmos de alimentos industrializados e processados, cheios de aditivos, começámos “ontem”… 😉

Paleo / Evolução Humana

A dieta paleo / ancestral não pode simplesmente ser considerada como uma reprodução da alimentação e do estilo de vida dos nossos antepassados. Isso seria uma simplificação absurda e impossível, tendo em conta a realidade da nossa vida actual. Esta dieta deve, sim, ser encarada como um modelo inspirado em alimentação para a qual estamos evolutivamente mais adaptados (carne, peixe, vegetais, frutas) mas no seu estado mais natural possível. Devemos dar preferência a alimentos não embalados (daí o nosso “lema” preferido: “Descascar mais e desembalar menos“, sem aditivos (emulsionantes, corantes, conservantes, etc…), o que habitualmente apelidamos de “alimentos verdadeiros“…

Paleo / Primal também promove a restrição de alguns alimentos. É o caso dos CEREAIS (não só pelo glúten, proteína altamente inflamatória, como também por todos os outros anti-nutrientes presentes no trigo, cevada, centeio e outros cereais). Também “cortamos” com os ÓLEOS VEGETAIS, ultra processados, refinados e hidrogenados (que até há poucas décadas nem sequer eram considerados como alimentos), por serem altamente inflamatórios e estarem directamente associados a desfechos negativos (vários estudos que relacionam o seu consumo com aumento de incidência de cancro e que nem procuravam demonstrar tal…) e também recomenda a restrição de AÇUCARES REFINADOS, procurando substitui-los por alternativas naturais mais saudáveis, como mel, stevia, etc… (o Paleo normalmente recomenda moderação no consumo de hidratos de carbono, sobretudo se o objectivo for emagrecer, mas não é necessariamente LOW CARB).

Cada qual deve seguir os princípios base como orientações, mas adaptar a Paleo / Primal / Ancestral ao seu objectivo. Uma pessoa que esteja 40Kg acima do seu peso “ideal” não deve ter a mesma estratégia, nem tem as limitações de alguém que apenas quer seguir Paleo pela promoção de saúde e bem estar. As escolhas devem ser adaptadas e personalizadas de acordo com a realidade do indivíduo.

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